Sociedade | 24-03-2024 12:33

Pedroso Leal foi "apertado" e confrontado com as suas falhas como presidente da Nersant

Pedroso Leal foi "apertado" e confrontado com as suas falhas como presidente da Nersant

Empresários associados da Nersant intervieram na última assembleia-geral e colocaram em causa a competência da actual direcção para continuar a comandar o barco. Houve quem utiliza-se expressões como "desgraça", "sangria de funcionários" e "incapacidade para liderar projectos".

Frederico Roque, da Roques Vale do Tejo, dirigiu-se ao presidente da direcção da Nersant, António Pedroso Leal, lamentando a sua falta de capacidade para acompanhar o dia-a-dia da associação. “Afirmou que é um homem com 64 anos, habituado a gerir empresas, admiro-me como ficou surpreendido com os resultados que a contabilidade da Nersant não apresentou. Como empresário de uma empresa familiar, como grande parte dos associados da Nersant, no mês a seguir temos as contas do mês anterior. Parece-me estranho que tenha de ser o conselho fiscal a pedir uma auditoria. O que andou a fazer o resto do ano?”, questionou, rematando: “a minha pergunta é: o senhor acha que tem condições para continuar como presidente desta associação?”, finalizou.

João Lucas, da Carmóvel, que foi vice-presidente da Nersant durante a presidência de Domingos Chambel, recordou as palavras de Pedroso Leal ao dizer que ponderou colocar um PER (Processo Especial de Revitalização), mas que acabou por não achar necessário nem exequível. “A minha pergunta é se esta associação está em condições técnicas de poder beneficiar de uma candidatura a um PER”, perguntou.

Diogo Palha, da Ingredient Odyssey SA (Entogreen), que trabalhou vários anos na Nersant, afirmou que muitos dos técnicos da associação que foram demitidos das suas funções podiam ter dado uma preciosa ajuda para o actual presidente entender a realidade da associação. “O senhor afirmou que quer reafirmar o valor da Nersant. O valor assenta na sua história e nas pessoas que a constituem. Sem pessoas a Nersant não tem valor praticamente nenhum e a associação deixou sair nos últimos anos a esmagadora maioria dos seus quadros. Deixou sair 20 e a maior parte deles trabalhava connosco nas empresas”, vincou. Diogo Palha afirmou que a associação deixou de liderar projectos, não participou em nenhuma agenda mobilizadora do Plano de Recuperação e Resiliência e abandonou eventos bandeira, como o Nersant Business. “Como é que vai, sem esta gente, mesmo conseguindo vender o património, realizar os projectos que se seguem para depois conseguir, no caso de fazer uma hipoteca, pagar ao banco a dívida?”, questionou.

Vasco Duarte, sócio da LisTorres, criticou o facto de se ter convocado uma assembleia-geral só para inglês ver. “Quando vi a convocatória pensei que viesse a um encontro para tomar decisões. Só vejo análises e reflexões. Quando chegarmos ao fim, o que vamos fazer?”, questionou, acrescentando: “eu vim cá para saber o que se vai fazer perante esta desgraça que a Nersant está a passar”, afirmou.

Pedroso Leal referiu que está a acompanhar as contas, mas que há valores que ainda não foram contabilizados e que vão ser apresentados no seu devido tempo. Sobre se tem capacidade para continuar à frente da direcção, Pedroso Leal afirmou “que os sócios e a direcção acham que sim, portanto a questão não se põe”, embora tenha dito por várias vezes durante a sessão que não tem problemas em seguir o seu caminho se os associados assim o entenderem. Sobre as dificuldades da associação em manter os quadros qualificados e consequente incapacidade de realizar projectos, Pedroso Leal limitou-se a dizer que “não há festa sem haver foguetes”.

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