Associações de estudantes de Santarém querem mais proximidade e envolvimento dos alunos

A propósito do Dia Nacional do Estudante, O MIRANTE conversou com André Pinto, João Rocha e Rita Faria, membros de Associações de Estudantes do Instituto Politécnico de Santarém, acerca da importância do associativismo estudantil e das dificuldades que as associações enfrentam.
O associativismo estudantil requer sacrifícios pessoais, mas André Pinto não tem dúvidas que é uma causa pela qual vale a pena dedicar tempo. André Pinto tem 28 anos, é natural da Amadora e veio para Santarém em 2017 para estudar Viticultura e Enologia. Actualmente está a terminar uma licenciatura em Agronomia e quer continuar a estudar no Politécnico de Santarém. Nos estudos ou no mercado de trabalho, uma coisa é certa: de Santarém não quer sair, garante a O MIRANTE. É presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Santarém desde 2023, membro da Federação Nacional de Estudantes de Ensino Superior Politécnico e está no associativismo estudantil desde 2019. Fora do âmbito académico pertence ao Rancho Folclórico Casa do Minho, em Lisboa, e durante vários anos participou nas Marchas de Lisboa durante as festas dos Santos Populares. Em 2024 a Associação de Estudantes da Agrária celebrou 40 anos de existência. “Gostamos de participar e receber bem quem nos visita, esse é o verdadeiro espírito agrário”, explica.
Desde que está na presidência da associação, André Pinto e a sua equipa têm procurado torná-la mais aberta aos estudantes. O Conselho Académico criado em 2025, e composto pelas várias Associações de Estudantes, directores das escolas, directores científicos e pedagógicos, a administração do Serviço de Acção Social e a administração do Politécnico, vai permitir reunir forças para resolver em conjunto os problemas e reivindicações dos alunos, acredita.
Envolvimento na comunidade escolar
João Rocha, 21 anos, é natural de Benavente e estuda Produção Multimédia em Educação na Escola Superior de Educação de Santarém, onde é também secretário da Associação de Estudantes. Sente os colegas afastados da discussão dos problemas do dia-a-dia, desde a falta de condições nas residências estudantis à escassa oferta de transporte público na cidade de Santarém. João Rocha quer um associativismo estudantil que trabalhe mais em prol dos interesses dos alunos. “A insatisfação dos alunos esbarra nas Associações de Estudantes, que nem sempre os ajudam a fazer ouvir os seus problemas e a reivindicar direitos”, assume. João Rocha defende que antes de envolver os jovens nas questões da política nacional é preciso gerar interesse nos problemas da comunidade escolar e é da opinião que as próprias instituições de ensino desincentivam o pensamento crítico dos alunos, formando apenas profissionais e não cidadãos activos.
Falta de espaço próprio
Na Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, o associativismo enfrenta dificuldades desde 2024 quando o espaço da Associação de Estudantes foi demolido por causa de obras. Desde essa altura que Rita Faria, presidente da associação, reivindica a atribuição de um novo espaço, já que o espaço que lhes foi cedido é “uma sala num sótão”. A associação já estudou várias soluções junto da direcção da escola e do politécnico, mas até agora nunca se chegou a um consenso. Actualmente a frequentar o mestrado em Gestão Aplicada ao Marketing, Rita Faria está na escola desde 2019, onde fez um TESP de Comunicação Comercial e uma licenciatura em Gestão de Marketing. Entrou para a Associação de Estudantes em 2022 como tesoureira e este ano lectivo está na presidência. Na altura em que se mudou de Alverca para Santarém, os preços dos quartos na cidade eram muito mais baixos do que os praticados actualmente, afirma, acrescentando que conseguir alojamento a preços suportáveis é a maior dificuldade dos estudantes.
O futuro da Associação de Estudantes de Gestão prevê-se desafiante. Uma mesa de snooker, arca frigorífica, frigorífico e balcões foram destruídos já que a Associação de Estudantes foi notificada um mês antes de que teria de abandonar o espaço e os alunos não conseguiram reunir condições de transporte e armazenamento para esse material. Ainda assim, a direcção da escola prometeu ajudar na recolha de doações na hora de equipar um futuro espaço de convívio, garante Rita Faria.