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Futuro do coreto no Jardim 25 de Abril divide coruchenses
Município pondera demolir a estrutura do local mas a intenção não é bem acolhida por alguns moradores.
A eventual demolição do coreto no Jardim 25 de Abril, em Coruche, como é intenção da Câmara de Coruche, tem dividido a população da vila. Se uns consideram que a estrutura deve manter-se por ter uma forte carga afectiva - tendo sido palco de brincadeiras para muitas crianças e cenário para fotos de muitos casamentos e baptizados -, outros são apologistas dos novos tempos e da revitalização do espaço.
O Jardim 25 de Abril, junto ao rio Sorraia, precisa de uma lufada de ar fresco. Para o presidente da câmara, Francisco Oliveira (PS), o coreto não tem neste momento utilidade pública, daí que não faça sentido manter-se no local após as previstas obras de requalificação do espaço. “Tem alguma simbologia afectiva mas se tudo fosse assim não se intervinha em nada”, disse o autarca em reunião do executivo.
Mas essa não é opinião unânime na vila. “Aquele coreto faz parte da minha infância e juventude”, diz Ana Flausino, professora reformada, enquanto vai subindo as escadas do coreto de betão que tantas lembranças lhe trazem. Defensora de que o coreto deve-se manter no jardim, a coruchense de 67 anos diz que, apesar de não ser uma obra de grande valia arquitectónica, tem uma grande ligação sentimental.
Ana Flausino avança até ideias para a dinamização do coreto. Em cima, refere, podiam dançar ou cantar e o espaço em baixo, onde anteriormente estava um lago, podia ser adaptado para receber a Sociedade de Instrução Coruchense (SIC). “Porque não ir ali um DJ fazer um espectáculo ou dançarem hip hop ou dança contemporânea?”, sugere. Assim, diz, o jardim também ia ganhando vida.
Um marco da vila
A mesma opinião é partilhada por António Bacalhau. Músico durante cerca de 20 anos na SIC e actualmente presidente da assembleia geral da colectividade, não entende a decisão da autarquia de deitar abaixo aquilo que considera ser um marco da vila. “Estando a destruir o coreto, também está a acabar com as memórias da SIC”, acredita.
Para o reformado de 62 anos, apesar de parecer ser um “cogumelo de betão sem estética nenhuma”, desde que foi inaugurado em 1959, sempre foi um espaço bastante utilizado pela SIC. “Chegávamos a juntar uma multidão em volta dele no dia do fogo-de-artifício durante as Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo”, relembra, dizendo que só há uns 10 anos é que, como a banda ficou maior, começou a tocar fora do coreto. “Mas isso não quer dizer que o devemos demolir. Devemos antes requalificá-lo”, afirma.
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Um perigo para as crianças
Sem papas na língua, David Cardoso, 39 anos, é dos que se mostra a favor da demolição do coreto. O coruchense não entende a indignação da população já que quando foi retirado o anterior coreto que estava nos Paços do Concelho ninguém se manifestou. “É verdade que muita gente se casou e fez aqui a sessão fotográfica, mas agora onde estão as pessoas?”, questiona David Cardoso, relembrando que também foi lá onde deu o seu primeiro beijo e tirou fotografias do seu casamento. O importante, defende, é revitalizar urgentemente o jardim e retirar o coreto porque até é um perigo para as crianças que vão para o espaço brincar. “Se fosse utilizado até se entendia, agora assim não pode ficar”, afirma.
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