
A paixão de António Salema pela festa brava condensada em livro
“António Salema, a impressão digital de um azambujense aficionado” é o título da obra editada pela Câmara de Azambuja numa tarde dedicada à tauromaquia.
O auditório do Páteo Valverde, em Azambuja, encheu para homenagear António Salema, homem muito querido nessa vila ribatejana pela sua enorme paixão pelo “mundo dos toiros”. A apresentação do livro “António Salema, a impressão digital de um azambujense aficionado”, decorreu no sábado, 24 de Fevereiro, sob os olhares atentos de quem não quis perder a oportunidade de agraciar um homem que dedicou parte da vida ao meio taurino.
Entre aplausos, muitos pedidos de autógrafos e fotografias, António Salema falou a
O MIRANTE sobre como viveu aquele momento tão especial. “Sinto-me satisfeito de ver este auditório cheio. É sinal de que fiz um bom trabalho ao longo da minha vida. Agora já não posso viver a paixão pelos toiros da mesma forma porque a idade já não permite”, disse.
Também o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa, mostrou bastante emoção no momento de discursar. O autarca afirmou que “a promessa de apoiar António Salema no lançamento de um livro tinha sido feita há muito tempo e que finalmente foi cumprida”. Aproveitou ainda a oportunidade para deixar uma nova promessa a António Salema. “Espero que seja enquanto você estiver vivo. Fica o compromisso de a câmara construir um museu dedicado à tauromaquia, onde possa ser exibido todo o espólio deixado por si”, afirmou debaixo de muitos aplausos.
Também André Salema, neto de António Salema, e o vereador António José de Matos, deixaram rasgados elogios e enalteceram o trabalho e empenho de António Salema no meio taurino, ao longo de mais de 50 anos.
O livro, editado pelo Município de Azambuja, conduz o leitor numa viagem por muitas histórias e memórias das várias décadas da intensa paixão de António Luís dos Santos Salema pela arte do toureio. Para além disso, oferece igualmente uma panorâmica sobre a tauromaquia azambujense, com destaque para a sua declaração como património cultural imaterial pelo Município de Azambuja.
Escola de toureio mostrou trabalho
Ao lançamento do livro seguiu-se um momento de verdadeira festa brava, na Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa, com uma aula prática de toureio a pé, com entrada gratuita. Em exibição esteve a escola de toureio da Associação Cultural “A Poisada do Campino”, de Azambuja, mas também alunos das escolas convidadas de Santarém e Montijo.
O mestre Ernesto Manuel, responsável pelos 16 alunos da escola de toureio da Associação Cultural “A Poisada do Campino”, falou com O MIRANTE e explicou a importância destas demonstrações. “É uma forma de educação. Temos miúdos dos sete aos dezasseis anos e não só aprendem a tourear como a perderem a vergonha. Necessitam de ver público, ouvirem o ruído e sentirem o medo de verem o novilho a correr na direcção deles. Tudo faz parte da evolução como toureiros”.
Ernesto Manuel está há quatro anos ao leme da escola de toureio de Azambuja e nesse espaço de tempo já lançou seis profissionais. O antigo bandarilheiro afirma que “não falta talento” e que vê potencial em alguns dos alunos para “chegarem a um patamar elevado”.

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