
Contradições e dúvidas no caso das agressões em Alpiarça que deixaram vítima incapacitada
Arguido contou terceira versão e causou estranheza ocorrência ser três horas antes da entrada no hospital
Várias versões do arguido e a estranheza entre a hora a que as testemunhas indicaram terem conhecimento das agressões junto aos Bombeiros de Alpiarça, que deixaram incapacitado José Dias, e a hora de entrada no Hospital de Santarém, marcaram a primeira sessão do julgamento do caso ocorrido em Agosto de 2015. O arguido quis prestar declarações ao tribunal, mas a dada altura o colectivo de juízes apercebeu-se de contradições e ordenou a audição das declarações prestadas anteriormente ao juiz de instrução criminal, que interrogou o suspeito para aplicação das medidas de coacção. Verificou-se que as versões não coincidiam.
A presidente do colectivo de juízes, dirigindo-se ao arguido, referiu que só há uma coisa que coincide em todas as declarações, que é a de não ter dado pontapés à vítima. “Aos arguidos só vale a pena falar se for para contar a verdade, caso contrário está a fazer os outros perderem tempo”, salientou. André Grilo justificou que estava nervoso nos interrogatórios anteriores. A explicação não convenceu a juíza presidente, que comentou o facto de a sala de audiências poder ser mais intimidante e que quando falou com a Judiciária e o juiz de instrução até tinha a memória mais fresca.
O arguido contou que estava na companhia do tio, que tinha sido bombeiro na corporação de Alpiarça, quando este se envolveu numa troca de palavras com José Dias, alegadamente por causa de um acidente de viação, à porta do bar da filarmónica, ao lado do quartel dos bombeiros. Relatou que agarrou a vítima pela face e pescoço e que o empurrou para acabar com a discussão, tendo este caído para cima da bicicleta que estava a seu lado. Um facto que também causou estranheza aos juízes, uma vez que, alegou a juíza presidente, a bicicleta iria amortecer a queda e as lesões que José Dias sofreu na cabeça não teriam sido tão graves. O arguido diz que foi ao bar contar o sucedido à namorada e que quando voltou ao local a vítima estava a tremer.
As versões apresentadas pelo bombeiro que recebeu o pedido de socorro e por um dos dois que assistiram a vítima e a transportaram ao hospital também deixaram algumas dúvidas. Ambos referiram que a situação tinha ocorrido por volta das 20h00, mas o registo de entrada no hospital indica 23h24. O facto de terem passado pelo menos três horas, levou o tribunal a requerer, a pedido do advogado da vítima, os registos de ocorrência da corporação de Alpiarça. Na audiência foi também referido que o outro bombeiro que seguiu na ambulância com a vítima também é tio do arguido. Recorde-se que quando o caso foi noticiado levantaram-se dúvidas sobre a actuação dos bombeiros, por não terem alertado a GNR, que só soube do caso passados dias. Na altura justificou-se que os bombeiros não informaram as autoridades porque a indicação que tinham era a de que se tinha tratado de uma queda.
O Ministério Público acusa o arguido, de 22 anos, de ter desferido murros e pontapés na vítima. José Dias sofreu lesões ao nível do crânio e esteve 22 dias em coma, tendo ficado bastante afectado, ao ponto de não ter condições para poder trabalhar. As sequelas graves implicam que este não possa passar muito tempo sozinho, porque tem dificuldades de raciocínio, e precisa de ajuda de terceiros. José Dias, 48 anos, trabalhava na fábrica Monliz, na zona industrial da vila.

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