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Os consumidores estão mais atentos mas as burlas são cada vez mais sofisticadas
Joana Parracho é jurista na delegação do Ribatejo e Oeste da Deco

Os consumidores estão mais atentos mas as burlas são cada vez mais sofisticadas

Dia Mundial dos Direitos do Consumidor aproveitado pela DECO para repetir avisos.

Onde há consumidores há empresas e vendedores sem escrúpulos a tentar ganhar dinheiro recorrendo a práticas ilegais e a vendas agressivas e intimidatórias. O Dia Mundial dos Direitos do Consumidor celebra-se a 15 de Março e O MIRANTE falou com Joana Parracho, jurista na delegação do Ribatejo e Oeste da DECO para saber como vamos de situações irregulares e ouvir, mais uma vez, porque nunca é demais repetir, alguns bons conselhos.
“É necessário alertar as pessoas para as práticas ilegais e para as vendas agressivas, para que as denunciem e não se isolem”, refere a jurista. A maioria dos casos que a DECO conhece, acontece com pessoas idosas que, em muitos casos, têm vergonha de dizer que foram enganadas. “Não dizem nada, escondem e têm receio de ser repreendidos pelos próprios filhos”, conta Joana Parracho.
Para a jurista os consumidores estão cada vez mais atentos aos seus direitos e até já há uma procura preventiva com pessoas a contactar a DECO antes de assinar contratos. Mas se o consumidor está mais consciente, as burlas também assumem contornos cada vez mais difíceis de detectar. “Por vezes as vendas surgem associadas a espaços credíveis como centros recreativos, bombeiros ou escolas, como é o caso dos rastreios de saúde que chamam as pessoas a determinado local e depois tentam vender uma panóplia de produtos.”, sublinha.
“Pedimos às pessoas que nos procurem o mais cedo possível sempre que tenham dúvidas ou algum conflito relacionado com direito do consumo. Devem fazer-se acompanhar de toda a documentação que tenham na sua posse para devida análise e posterior reclamação fundamentada”, explica. E acrescenta. “O mais importante é não assinar nada sem ler. Mas se por acaso assinou e se arrependeu pode pedir ajuda, tendo em atenção os prazos legais para agir”.
Em 2018, cerca de 376 mil consumidores recorreram à DECO para procurar informação e apoio para a resolução dos seus conflitos. O sector que acumula maior número de reclamações é o das telecomunicações, seguido pelo sector da compra e venda, com as principais causas das reclamações a deverem-se a problemas como o accionamento de garantias, incumprimento dos prazos de entrega, práticas desleais nas promoções e incumprimento dos prazos no direito de livre resolução. Em terceiro lugar está o sector dos serviços financeiros. Energia e água surgem em quarto lugar. A taxa de sucesso da DECO é satisfatória mas nem sempre o consumidor tem razão.

“Telefonam e prometem mas depois é tudo um engano”

Os consumidores de Tomar ouvidos por O MIRANTE podem nunca ter usado um livro de reclamações ou recorrido à DECO mas irritam-se com as vendas agressivas.

Joaquim Silva 

As maravilhosas trafulhices.

Quando quero comprar alguma coisa prometem-me o céu e a terra mas no fim não há nada para além de um monte de trafulhas. Nunca usei o livro de reclamações mas já recorri à DECO para me informar sobre os rendimentos que tenho do estrangeiro. Nas Finanças não me souberam responder se tinha que os declarar no IRS. Todos os serviços que me telefonam para casa são irritantes.

Maria dos Anjos Gomes

Telefonam só para nos chatear.

Geralmente não reclamo e nunca usei o livro de reclamações nem recorri à DECO, mas estou informada. O serviço que mais me irrita são as telecomunicações. Bombardeiam-nos constantemente com ofertas mais baratas, dizem que dão isto e aquilo e ao fim ao cabo não dão nada. Os dos aparelhos auditivos também são uns chatos.

José Duarte 

Uma guerra desgraçada.

Por vezes tenho vontade de reclamar mas não o faço. Só recorri à DECO uma vez e aconselharam-me bem. Foi por causa dos serviços de telecomunicações e consegui resolver. O serviço que mais me irrita é mesmo o das telecomunicações. Nunca se consegue saber ao certo os preços que estão a cobrar e é muito difícil desistir do serviço. No meu caso foi uma guerra desgraçada.

Maria Faria 

Quinze dias sem telefone.

Já fui à DECO por duas ou três vezes e aconselho-me com a minha advogada. É preciso reclamar com o que não se concorda. Usei o livro de reclamações para reclamar da NOS e da MEO porque ao mudar de operadora fiquei quinze dias sem telefone. Depois apareceram durante três meses facturas da operadora de que tinha desistido.

Lurdes e Arlindo Maltez, de Arneiro das Milhariças

Uma burla de Natal e outra “luminosa” história

Dois casos que ilustram exemplos de venda agressiva de empresas da área da energia

Lurdes e Arlindo Maltez, de 61 e 63 anos, respectivamente, vivem em Arneiro das Milhariças, Santarém. Foi ali, no centro da pacata aldeia, que foram abordados, na véspera de Natal, por alguém que se identificou como funcionário da EDP que lhes disse que estava a contactar as pessoas, no âmbito de uma campanha nacional, para lhes explicar como pagar menos na factura da electricidade e que lhes pediu para ver uma factura do serviço que tinham.
Lurdes estranhou a data escolhida para a abordagem mas acabou por o deixar aceder ao seu e-mail, no computador onde recebia as facturas. “Ele disse que eu estava a pagar muito e eu acabei por aceitar dar-lhe os dados que pediu e até o deixei utilizar o meu telefone fixo na expectativa de ter uma solução para o meu caso. E depois assinei qualquer coisa que nem vi, num tablet”.
A 15 de Janeiro começou a perceber que fora enganada. Nessa data recebeu duas comunicações da EDP, uma referente à factura do mês anterior e outra a um acerto por rescisão de contrato. Pouco tempo depois recebeu uma factura da Iberdrola, relativa ao consumo de energia a partir de 24 de Dezembro. O que lhe valeu para resolver o problema foi a ajuda da DECO. “Mais tarde ficámos a saber que isto também aconteceu a outras pessoas da aldeia mas ninguém quer falar porque têm vergonha de ter sido enganados”, diz Arlindo Maltez.
A menos de três quilómetros do Arneiro das Milhariças, no lugar de Póvoa das Mós, Artur Louro e a esposa Maria Claudina Carvalho, de 70 e 60 anos, tiveram uma experiência semelhante, também perto do final de 2018. “Sempre fomos clientes EDP e quando nos abordaram a perguntar se queríamos pagar menos pela electricidade anuímos mas com a condição de não sairmos do mesmo operador”, contam.
Só se aperceberam que tinham sido enganados quando, a 28 de Dezembro, receberam um telefonema da EDP a perguntar qual o motivo da rescisão de contrato. “Ficámos estupefactos”, confessa Maria Claudina Carvalho. A partir daí começaram as despesas, com várias deslocações a Santarém para resolver o assunto mas felizmente tudo ficou resolvido graças à intervenção da DECO.

Artur Louro e Maria Claudina Carvalho, de Póvoa das Mós
Os consumidores estão mais atentos mas as burlas são cada vez mais sofisticadas

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