
“Ter um negócio é uma prisão muito grande”
Rui Fernandes, 50 anos, proprietário da loja de ferragens Fernova, em Almeirim. A experiência como lojista surgiu há 14 anos quando se viu pela primeira vez no desemprego. Depois da zona da grande Lisboa apostou em Almeirim, onde abriu há pouco mais de quatro meses a loja de ferragens Fernova. Ter um negócio pode ser uma prisão, mas ajudar os seus clientes a encontrar a melhor solução para os problemas do lar é um gosto para Rui Fernandes.
O velho ditado “casa roubada, trancas à porta” faz todo o sentido para Rui Fernandes, proprietário da Fernova, loja de ferragens e de artigos para pequenas reparações no lar, em Almeirim. “O problema das pessoas é que só se lembram de arranjar quando se estraga, não fazem prevenção. Só quando as coisas já não funcionam é que procuram solução”, refere Rui lembrando que, muitas vezes, um cano entupido obriga a partir uma parede quando o seu entupimento podia ser evitado com a utilização regular de um produto adequado.
Na Fernova, Rui trabalha com mais de nove mil artigos. “Tenho todos os artigos que têm as grandes lojas, embora não tenha tanta variedade, tenho o básico”, refere o proprietário defendendo que são as lojas mais pequenas, como a sua, que ainda permitem um atendimento personalizado. Rui afirma que é um mito pensar que as grandes lojas têm melhores preços. Na sua opinião, são grandes estruturas que têm maiores encargos com pessoal e com o próprio espaço, também maior. Por isso, mesmo que consigam melhores margens por comprarem em grande quantidade acabam por reflectir esses custos no preço final. Rui realça ainda que há clientes que preferem as lojas pequenas para não perderem tempo em corredores infindáveis.
A experiência como lojista surgiu há 14 anos quando se viu pela primeira vez no desemprego. O seu percurso profissional foi feito na área dos congelados, como vendedor. Foi nessa profissão que tirou vários cursos como o de contabilidade, informática, gestão de clientes ou vendas.
Depois de um ano de desemprego pegou na loja que o pai tinha deixado na região de Sintra, para onde se mudou com a família quando tinha apenas um ano de idade, e entrou no negócio da drogaria. Permaneceu na zona de Sintra durante dez anos, depois experimentou uma nova loja no Barreiro, onde esteve durante perto de um ano, mas o negócio não vingou. Fechou e decidiu apostar em Almeirim pela proximidade à sua terra natal e dos seus pais, Alpiarça.
“Almeirim é um bom sítio para morar e ter um negócio”
Com a mudança perdeu a base de dados dos artigos que possuía e anda agora a reintroduzir no computador referências, facturas e preços. Tudo tem que estar pronto até Janeiro, altura em que há que apresentar um inventário. Os dias começam cedo na loja e o negócio corre bem, embora ainda não consiga fazer um balanço dos cerca de quatro meses de funcionamento. “Chego por volta das 07h30 e começo a arrumar os stocks com calma até à hora de abrir ao público, às 09h00. Regra geral não arrumo nada à noite, fica para de manhã quando chego com mais ânimo”, confessa.
De acordo com o comerciante os espaços comerciais exigem algum tempo para se formar uma clientela. “Ter um negócio é uma prisão muito grande. Em perto de década e meia como lojista só consegui ter uma semana de férias”, lamenta Rui, acrescentando, no entanto, que a experiência em Almeirim está a correr bem. Apesar de não conseguir ir de férias, também porque canaliza todo o dinheiro para investir em mais produtos para a loja, não dispensa as caminhadas diárias e a leitura.
“Almeirim é um bom sítio para morar e para ter um negócio”, diz enquanto mostra a O MIRANTE o rolo de carpete vermelha que tem sido o produto com mais saída. Seguindo o exemplo da Câmara de Almeirim, os comerciantes da zona estão a colocar a passadeira à frente dos seus estabelecimentos para entrar no espírito natalício.
