
CAP afasta CONFAGRI da direcção do CNEMA depois de ser denúnciada por más práticas
A CAP afastou a CONFAGRI da direcção do CNEMA depois de uma briga que envolve o ex-ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e o seu chefe de gabinete. A CAP foi denunciada por más práticas de gestão no programa “Aconselhamento Agrícola”.
A CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) afastou a CONFAGRI (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal) da nova direcção do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) eleita para novo mandato em assembleia geral, realizada em Santarém, no dia 10 de Dezembro.
A decisão de afastar da direcção do CNEMA, um dos seus principais parceiros, e também fundador da instituição, prende-se com divergências recentes relacionadas com uma denúncia que a CONFAGRI terá feito junto do Ministério da Agricultura relacionada com um programa comparticipado de “Aconselhamento Agrícola”, que a CAP estaria a fazer pelo telefone contrariando as boas práticas.
A denúncia produziu vários efeitos e um deles foi o corte de relações entre as duas confederações mais importantes do associativismo agrícola. O antigo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, está envolvido na briga, uma vez que o seu chefe de gabinete, depois de receber a denúncia, a primeira coisa que fez foi enviar cópia da mesma para a direcção da CAP.
A direcção da CONFAGRI não quis falar com O MIRANTE sobre os pormenores da denúncia, e se houve denúncia, mas o nosso jornal confirmou a acção da CONFAGRI e conseguiu comentários pouco abonatórios do trabalho do Ministério da Agricultura chefiado por Capoulas Santos.
Antes do corte de relações ainda houve troca de galhardetes entre as duas confederações, com o ministro pelo meio a tentar pôr água na fervura. A CAP terá exigido à CONFAGRI uma retratação que, como era evidente, não fazia qualquer sentido, uma vez que a CAP estava a defraudar aquilo para que tinha sido contratada e paga, disse a O MIRANTE fonte bem informada. Quanto à intervenção do ministro, chegou tarde demais, uma vez que o chefe de gabinete de Capoulas Santos, em vez de actuar sobre as más práticas da CAP, denunciou a CONFAGRI e pôs as duas partes numa briga que estará para durar.
Fonte bem informada da CONFAGRI disse a O MIRANTE, sem querer entrar em mais pormenores, que o programa de “Aconselhamento Agrícola” jamais poderia ser realizado por telefone para ter efeitos práticos. E que a CONFAGRI terá feito o que faria qualquer entidade preocupada e responsável perante tamanho oportunismo.
Com a saída da CONFAGRI da administração do CNEMA a Câmara de Santarém ficou representada pelo presidente, Ricardo Gonçalves, e pelo vereador Nuno Serra. Ramiro Matos, advogado, ex-vereador da Câmara de Santarém, que também já pertenceu à administração do CNEMA noutros tempos, foi eleito presidente da assembleia geral substituindo o representante da CONFAGRI que era habitualmente convidado para o lugar. Ramiro Matos terá sido cooptado à última hora entre todos os membros decisores que fazem parte dos órgãos sociais do CNEMA.
“Estão todos de costas voltadas; O Ministério da Agricultura também foi esvaziado das suas principais responsabilidades, o que levou Capoulas Santos a abandonar o barco. Quem fez o estrago que corra, agora, a apanhar os cacos. Quem sabe o antigo chefe de gabinete do ministro Capoulas Santos ande por aí a fazer aconselhamento agrícola”, ironizou um antigo membro da direcção da CAP, que não se revê nesta direcção nem na forma como a CAP faz a gestão do CNEMA, criticando ainda os autarcas de Santarém que sempre estiveram de cócoras perante os dirigentes da CAP.
