
Entrudo em Alhandra foi meiguinho para não causar amargos de boca
Depois do cortejo fúnebre o Santo Entrudo foi queimado debaixo de um céu iluminado por fogo de artifício junto à Sociedade Euterpe Alhandrense. O MIRANTE publica alguns dos versos da noite.
O enterro do Santo Entrudo em Alhandra, na quarta-feira de cinzas, marcou o fim das principais celebrações carnavalescas no concelho de Vila Franca de Xira e voltou a sair às ruas para o tradicional cortejo fúnebre. Mas ao contrário dos enterros noutros pontos da região, em Alhandra os versos deixados em testamento foram meiguinhos e procuraram não ofender ninguém. Também não tocou nos mexericos locais nem nos episódios políticos que marcaram o ano.
O avantajado falo do defunto esteve a maioria da noite tapado e só em alguns momentos foi posto a arejar para o povo contemplar. “Tapa, tapa isso, ainda dá um ataque cardíaco às velhas”, brincou Júlio Faneira, morador da vila e que fez sorrir quem acompanhava o desfile.
O testamento foi lido a espaços sempre com as tradicionais carpideiras a chorar e a marcha fúnebre como pano de fundo: “Do Alhandra e do campo da Hortinha/Fizeram um carro bem grande/Há tanto que já se foi a Marinha/E o sonho cada vez mais distante. (...) Havia muita gente chinoca/Até estavam bem giros/Mas a malta pôs-se à coca/Com medo do corona virus”.
O cortejo arrancou da Sociedade Euterpe Alhandrense e percorreu as ruas da vila até parar no largo, com gente à janela dos vários edifícios e dezenas de pessoas a acompanhar o momento.
“Houve um carro bem aperaltado/O carro das meninas do Pastilhas/Anda sempre tão bem acompanhado/Qualquer dia chamam-lhe o quebra-bilhas”; (...) “Disseram mal do presidente/Mas o largo até ficou bonito/O povo é maldizente/É mandá-los levar no pito. Mas lá se fechou a Caixa/Mas que ideia tão maluca/Senhor presidente o melhor é meter baixa/Se deixa fechar a Tijuca”.
Este ano o testamento do Entrudo foi especialmente focado nas pessoas e associações que se envolveram nos corsos de Carnaval daquela vila. “Este Carnaval está tão chique/Que até tem retretes para os mijões/Mais valia montar um gerador e um dique/ E geravam electricidade aos milhões; Que esta comissão a granel/Mais parece um bando de trolhas/Agarrem-se mas é ao pincel/Que o Silva e o Massas estão cheios de bolhas; Sobre esta comissão/Não merecem mais faladuras/Uns só dizem que para o ano já cá não estão/Devem ir vender farturas”.
O cortejo acabou junto ao Tejo já pela noite dentro, com o santo folião queimado junto ao rio debaixo de fogo de artifício lançado das instalações da SEA.

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