
Praticar corrida na rua faz subir de patamar a exigência física
Correr está na moda e é um desafio para o corpo no combate ao sedentarismo. Mas para alguns a escolha pode ser difícil: correr na rua ou entre quatro paredes? O MIRANTE falou com alguns dos participantes da 25ª edição da Corrida das Lezírias, em Vila Franca de Xira, sobre as suas preferências.
Exaustos, ofegantes, transpirados mas com o sentimento de missão cumprida, os 1.800 participantes cruzaram a meta da 25ª Corrida das Lezírias em Vila Franca de Xira, no dia 1 de Março. Uns levantaram-se da cama a um domingo de manhã com vontade de bater recordes pessoais, outros apenas com vontade de participar e desafiar o corpo. Mas quase todos os atletas com quem O MIRANTE falou defendem o mesmo: correr ao ar livre é fisicamente mais exigente do que correr sem sair do sítio, numa passadeira de ginásio.
Deixando de parte discussões técnicas sobre perdas calóricas, Nuno Peixoto, um dos participantes, defende que a diferença entre a corrida indoor e outdoor é abismal, logo a começar pela exigência física que é muito maior ao ar livre, potenciada “pela diferença de pisos e condições climatéricas”. Num ginásio, sublinha, “o vento não existe e o ritmo e inclinação são controlados”, quase como se fosse o tapete a correr pelo corpo.
Além de o desafio ser menor, correr virado para uma parede em ambiente fechado parece não agradar a quem se diz amante da modalidade. É o caso de Flávio Santos, 23 anos, corredor desde os 10 que compara correr numa passadeira com uma larva de borboleta “fechada dentro de um casulo”.
Vindo de Alverca do Ribatejo, Carlos Sousa, de 62 anos, concorda e acrescenta que “bater o pé no mesmo sítio além de monótono não faz tão bem à saúde como correr ao ar livre”. No seu entender, há vantagens num treino de ginásio, nomeadamente no reforço muscular e articular, mas lá, garante, faz de tudo menos corrida. “Recuso-me a fazê-lo. Vou sempre escolher a corrida de rua, mesmo tendo de me levantar cedo, antes do trabalho” e enfrentar o clima, os carros e as pessoas que se atravessam no caminho.
Depois de cortar a meta antes do marido, Ana Matias, da Póvoa de Santa Iria, confessa que não perde uma edição da prova, desde que começou a correr, já depois dos 40 anos. Agora, aos 54, diz que a corrida se tornou uma “loucura saudável” que a tem levado a correr várias maratonas pela Europa. “Foram 15 no total e não pretendo parar por aqui”, diz, confessando que começou por correr dentro de portas, à velocidade de uma passadeira monótona que agora é completamente dispensável.
Também para quem está habituado a correr à beira-mar, fazê-lo num ginásio “nem passa pela cabeça”. Quem o diz é António Martins, natural de Alverca e residente na Nazaré, que aos 65 anos corre diariamente para se “sentir bem e fazer a saúde durar”.
No entanto, e apesar de as opiniões serem unânimes, correr em ambiente fechado pode ser opção para quem não tem companhia, um local apropriado para começar ou motivação. O que importa, dizem os corredores, é perceber os benefícios do exercício para a saúde e largar o sedentarismo.
Prova este ano teve direito a música
A prova principal da Corrida das Lezírias fez-se ao longo de um percurso de 15,5 quilómetros de estrada, terra batida, com subidas e descidas, travessia da ponte Marechal Carmona sobre o rio Tejo e passagem pela lezíria vilafranquense, onde os campinos a cavalo deram um colorido ribatejano ao ambiente dos corredores. O tempo encoberto e sem chuva na maior parte do percurso ajudou o corpo a manter o ritmo durante a prova que este ano teve animação musical ao longo das várias etapas.
O grande vencedor da geral foi Emiliano Vieira (Run Tejo, Lisboa), de 41 anos, com um tempo de 52 minutos e três segundos. O pódio ficou completo com João Fernandes (Casa Benfica de Faro), em segundo lugar, e Francisco Pedro (Associação Vale Grande) em terceiro.
A edição deste ano, organizada entre a Câmara de Vila Franca de Xira e a Xistarca, teve como madrinha a campeã olímpica, Rosa Mota. Para além dos 1.800 atletas que correram o percurso principal participaram mais 500 na Mini Corrida (5 kms) e 200 crianças correram o circuito da Corridinha (400m e 800m) que decorreu dentro do Parque Urbano do Cevadeiro.

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