
Os últimos focos de resistência popular são os Enterros do Galo e do Entrudo
Uma das maiores tradições populares são os Enterros do Galo ou do Entrudo, celebrações genuínas que se realizam a seguir ao Carnaval, geralmente na noite de Quarta-Feira de Cinzas, quando, numa encenação de um funeral trapalhão e meio obsceno, é lido o testamento do defunto, geralmente em verso.
O testamento é um relato mordaz do que se passou na comunidade ao longo do ano. Há lá amores clandestinos, comportamentos bizarros ou anedóticos e há, sobretudo críticas aos políticos e às instituições. As quadras do Enterro do Galo ou do Entrudo mostram a vitalidade de uma comunidade e a sua insubmissão a quem a quer dominar.
Nos últimos anos ressurgiram ou ganharam mais força alguns desses cerimoniais. Noutros casos houve um quase desaparecimento ou, no mínimo, uma ocultação medrosa. Noutros ainda está a entrar o politicamente correcto e a ideia de que mesmo no Carnaval é de bom tom fazer “críticas positivas”, seja lá o que isso for, e não ofender “sensibilidades sensíveis”, leia-se poderes.
A castração do Enterro do Galo ou do Entrudo é mais uma machadada na liberdade de expressão e na democracia e o mais curioso é que seja praticada com os adornos que eram usados tradicionalmente, como o falo gigantesto do defunto.
João Carlos Dores

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