
Cartaz do PCP em praça de Alhandra criticado por ex-comunista que lidera a junta
Presidente da freguesia de Alhandra, que foi militante comunista até 2018, não gostou de ver uma praça acabada de requalificar ocupada com um cartaz do PCP ali plantado e acusa essa força política de autismo e desconsideração pela população.
A guerra entre o presidente da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz, Mário Cantiga, e o Partido Comunista Português - de onde se demitiu em 2018 - continua inflamada e voltou a dar faísca na semana do Carnaval. Tudo por causa de um cartaz colocado na Praça 7 de Março, a principal praça daquela vila, onde está situada a junta de freguesia. O espaço foi requalificado e deixado sem quaisquer barreiras arquitectónicas à mobilidade, com excepção do cartaz agora colocado pelo PCP que vem destoar da obra ali realizada.
Mário Cantiga tem sido criticado pela população por ter deixado o PCP colocar o cartaz naquele local mas pouco ou nada pode fazer. Por isso não se conteve e emitiu um comunicado a condenar a atitude do partido, pelo qual foi eleito, em manter o cartaz naquele local.
“A exemplo do que tem feito durante anos, o PCP de Alhandra e Vila Franca de Xira veio contrariar este espírito de partilha do espaço público com a implementação de um obstáculo permanente, que além de ser horrível é uma barreira que pode constranger aqueles que são portadores de algum tipo de deficiência”, lamenta o autarca.
A colocação de cartazes no espaço público por parte dos partidos políticos é um assunto que tem feito correr muita tinta e que O MIRANTE já por diversas vezes deu nota. “É verdade que estão a proceder de acordo com a legislação mas do ponto de vista moral e do respeito pelos outros deixam muito a desejar”, critica o autarca de Alhandra.
Mário Cantiga diz mesmo que se todos os partidos que foram candidatos nas últimas eleições decidissem colocar um cartaz na Praça 7 de Março o local ficaria sem espaço para usufruto da população. Lamenta a decisão dos “sectores mais radicais” do PCP de Alhandra em colocar o cartaz e lamenta o seu “autismo e desconsideração” pelos alhandrenses.
O PCP já reagiu considerando que é desajustado passar a ideia que uma estrutura com “pouco mais de um metro” é uma barreira arquitectónica “numa praça com dezenas de metros de comprimento”. Notando que a praça sempre foi um espaço de encontro, debate e luta da população, o partido explica que já antes da revolução de Abril realizava propaganda naquele local e que Mário Cantiga “parece estar mais concentrado em encontrar pontos de atrito” com o seu ex-partido do que em resolver outros problemas da freguesia.
“O PCP recusa qualquer tentativa de condicionamento da sua acção política a pretexto de questões estéticas ou arquitectónicas. Alerta-se ainda para o facto de, independentemente das razões de tais tentativas, estas correrem o risco de engrossar caldos de cultura anti-partidos e anti-política que trazem no seu bojo objectivos perigosamente anti-democráticos”, vinca o PCP.
Polémica também em Alverca
Entretanto, na vizinha União de Freguesias de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, também gerida pela CDU, a colocação de cartazes nas ruas a exigir a construção do passeio ribeirinho de Alverca gerou polémica, com os socialistas a considerarem desleal os comunistas exigirem uma obra em que já está a ser elaborado o projecto de execução, para assim ficar na ideia da população que a obra só avançou por causa das reivindicações do PCP. “Há anos que o PS promete e não faz. Basta. É hora de construir, basta de desprezar a cidade e o investimento”, referem os comunistas em comunicado.
Em resposta, os socialistas acusam os comunistas de oportunismo e de serem um “mero partido de protesto” com um lugar “cada vez mais residual” na política local.

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