
“Cortes orçamentais não podem comprometer o funcionamento das escolas”
O director da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, Vítor Costa, foi um dos apoiantes e impulsionadores da candidatura de José Mira Potes à presidência do Politécnico de Santarém, há dois anos.
Agora, foi um dos muitos dirigentes de escolas que pediu a destituição do presidente do instituto, que acabou por se demitir. Nesta entrevista explica porquê.
Foi um dos principais apoiantes da candidatura de José Potes à presidência do IPSantarém e agora esteve entre os que pediram a sua destituição. O que mudou assim tanto em apenas dois anos?
Fui realmente uma das pessoas que apoiou a candidatura do professor Potes à presidência, com a expectativa de haver mudanças profundas em relação à orientação do instituto. Como isso não se verificou, progressivamente houve um afastamento em relação à liderança do instituto.
Que mudanças profundas é que preconizavam e não se verificaram?
Basicamente havia o compromisso ou a ideia de pôr o instituto ao serviço das escolas, de ser um instituto de escolas. Era aquilo que dava corpo e distinguia a candidatura. Verificámos que esse lema foi deixado para trás e essa preocupação nunca passou para o papel. Progressivamente os directores deixaram de se rever na actuação da presidência.
Houve alguma medida em concreto que tenha levado a esse afastamento ou foi uma situação gradual, ao longo do tempo?
Talvez não tenha sido por alguma medida em concreto, talvez tenha sido pela falta de medidas.
Situação que veio a agravar-se com este plano de ajustamento orçamental apresentado pela presidência do IPSantarém, por imposição do Governo.
O plano de ajustamento terá sempre de ser feito e os directores estão empenhados em fazer os ajustes necessários e que são urgentes. Mas não podemos “deitar fora o bebé com a água do banho”. Esses cortes não podem comprometer o normal funcionamento e desenvolvimento da instituição.
É possível fazer esses cortes sem afectar o funcionamento das escolas?
Terá que ser estudado. Poderão fazer-se ajustamentos dos custos com pessoal, dos custos de funcionamento, das despesas de capital e de investimento, das escolas, dos serviços centrais, dos serviços de acção social. É preciso perceber onde é que podemos fazer ajustamentos sem pôr em causa o desenvolvimento e o futuro das instituições.
Não era possível implementar esses ajustes com José Potes na presidência do IPSantarém?
No decurso do processo esse afastamento que se foi verificando levou a uma quebra de confiança. Houve uma posição colectiva materializada num documento crítico subscrito por todos os directores de escolas, por todos os sub-directores, por todos os presidentes dos conselhos pedagógicos e por todos os presidentes dos conselhos científicos e por todos os professores que têm assento no conselho geral.
Tendo o IPSantarém um défice anual crónico de 1,4 milhões de euros, da responsabilidade do ministério, em que medida é que o presidente do IPSantarém é responsável por essa situação?
Há duas componentes. Há uma que é o défice de 1,4 milhões de euros que se arrasta desde 2013 ou 2014. Mas, no ano transacto, além desse défice ainda houve um aumento de mais um milhão de euros. O défice no ano passado foi de 2,4 milhões euros, situação que nunca aconteceu em anos anteriores e que nunca foi cabalmente explicada.
E se o próximo plano de ajustamento implicar novamente cortes acentuados no financiamento das escolas? Haverá novamente contestação?
As escolas saberão acomodar aquilo que for preciso para o seu equilíbrio orçamental sem comprometer o futuro. O que podia afectar o futuro da instituição seria uma situação que se arrastasse e não levasse a uma solução concreta. Muitas vezes na vida é preciso dar um passo atrás para depois dar dois em frente.

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