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Milhões de litros de água potável desperdiçados diariamente em Vila Franca de Xira
QUEIXAS. Problema do adutor do Alviela foi levantado na última assembleia municipal

Milhões de litros de água potável desperdiçados diariamente em Vila Franca de Xira

Adutor do Alviela precisa de obras e tem seis pontos em ruptura no concelho. Todos os dias estão a perder-se muitos milhares de litros de água potável só no concelho de Vila Franca de Xira no adutor do Alviela, explorado pela EPAL. Autarcas e população dizem que é “uma vergonha” e “criminoso” tamanho desperdício. Empresa diz que estão previstas obras.

Edição de 13.09.2017 | Sociedade

Numa altura em que boa parte do país atravessa uma situação de seca severa e extrema, no concelho de Vila Franca de Xira estão a ser desperdiçados milhões de metros cúbicos de água todos os dias. Em causa estão rupturas nas seis “torneiras” do aqueduto do Alviela que atravessa o concelho, uma estrutura da responsabilidade da Empresa Portuguesa de Águas Livres (EPAL) que é usado para fornecer água a vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa. Duas dessas situações são registadas a norte do concelho, em Povos e em Castanheira do Ribatejo, junto à herdade Palha. Mas há relatos também na Póvoa de Santa Iria.
O alerta para a situação foi deixado pelo presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, Mário Calado (CDU), sobre uma ruptura em Povos que classifica de criminosa. “Fui à ruptura e fiz umas contas rápidas. Em dez segundos um bidão de 50 litros ficou cheio. Num minuto isso dá 300 litros. 18 000 litros numa hora. Quase 432 mil litros de água num dia. As pessoas que lá moram dizem-me que aquilo está há 15 ou 16 anos naquela vergonha. É muito grave. Aquilo é criminoso. Cortamos água a alguém que desgraçadamente não tem condições económicas de a pagar e depois permitimos que aquilo aconteça. Em 10 anos a água desperdiçada ronda um bilião e 600 mil litros”, criticou o autarca na última sessão da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira.
O presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS), António Oliveira, manifesta também a sua preocupação e garante que por várias vezes os serviços já notificaram a empresa para proceder a obras no adutor. “O canal do Alviela tem de ser desactivado e não há outra volta a dar. As perdas que eles têm desde que entram no nosso concelho até que saem são de levar as mãos à cabeça. Se lhe dissesse as percentagens iria assustar-se. E as contas que fez são apenas relativas a um ponto do concelho, nós temos seis e todos eles pingam. Imagine-se agora o que não se desperdiça”, condenou.
O autarca admite que a realidade “dói” mas que o município não pode mandar numa estrutura que não é sua. “Já lhes fizemos sentir esta preocupação e gravidade pública de perda de um bem destes. Desde que estou nos SMAS aquele canal é uma preocupação constante mas também uma dificuldade enorme”, lamenta.
A O MIRANTE, a empresa refere que as situações envolvendo o aqueduto do Alviela já estão identificadas pela EPAL “estando a sua reparação prevista para breve”. A empresa explica que dado que os trabalhos de reparação implicam o corte do abastecimento de água, “a empresa entendeu adiar a intervenção”, minimizando os efeitos da falta de água no período em que se registam, segundo a empresa, “os maiores consumos”.

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