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Industriais de curtumes lançam aviso à Câmara de Alcanena

Em causa a constituição da Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena, de que os industriais queriam ser parceiros.

Edição de 01.03.2018 | Sociedade

O presidente da Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC), Gonçalo Santos, foi à sessão da Assembleia Municipal de Alcanena realizada no dia 23 de Fevereiro alertar o executivo camarário de que a constituição da Empresa Municipal de Águas e Saneamento de Alcanena - EMASA pode criar obstáculos aos industriais de curtumes.
“A indústria de curtumes está em Alcanena há mais de duzentos anos e este ano atingimos um pico de internacionalização da nossa produção. Um dos argumentos que temos para competir a nível internacional é a competitividade ambiental e não precisamos de obstáculos dentro de casa”, afirmou Gonçalo Santos.
A constituição da EMASA foi aprovada na assembleia municipal pela maioria socialista, com nove votos contra da bancada da coligação PSD/CDS/MPT e duas abstenções dos deputados da CDU.
A EMASA agrega os serviços de abastecimento de água, até agora assegurado pela Luságua, cujo contrato de concessão termina em Outubro de 2018, e a gestão do saneamento básico está entregue à AUSTRA- Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Águas Residuais de Alcanena, através de contrato de concessão que termina em 2024.
Gonçalo Santos adiantou que a AUSTRA tem sido um exemplo pioneiro naquilo que é o sistema de tratamento de resíduos de Alcanena e tem feito investimentos na ordem dos quatro milhões de euros, por isso considera que a indústria tem uma palavra a dizer e espera ser parceiro na constituição da EMASA.
A presidente da câmara, Fernanda Asseiceira (PS), já tinha referido na reunião de câmara de dia 19 de Fevereiro, que a EMASA vai ter 100% de capital municipal e que não pretende pagar qualquer indemnização à AUSTRA pelo final do contrato de concessão antecipado (ver texto nesta página), acautelando assim os interesses do município.
Depois da intervenção de Gonçalo Santos, Fernanda Asseiceira referiu em tom exaltado que ninguém falou da indústria de curtumes, nem pretende criar obstáculos ao sector, de vital importância para a economia do concelho e do país, mas reforçou que a competitividade económica dos curtumes tem de ser compatível com a qualidade de vida da população. “Essa carapuça não serve à presidente da câmara e foi no meu mandato que Alcanena ganhou o estatuto de Capital da Pele, com a Expopele, por isso considero que sempre ajudei a divulgar o sector”, sublinhou.
A autarca afirmou ainda que todos os dias a sua principal preocupação é aferir se cheira mal em Alcanena. “Felizmente que nos últimos tempos não tem cheirado mal”, disse. Fernanda Asseiceira informou ainda que no dia 26 de Fevereiro iria reunir com a administração da AUSTRA para debater toda a situação que envolve a associação no processo de constituição da EMASA, que a autarca espera esteja constituída e pronta a prestar serviço aos munícipes em Outubro deste ano, quando terminar o contrato com a Luságua e depois da aprovação pelo Tribunal de Contas.

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