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Ministério Público investiga irregularidades no CRIA de Abrantes
Nelson Carvalho, presidente do CRIA

Ministério Público investiga irregularidades no CRIA de Abrantes

Eleição de Nelson Carvalho como presidente é uma das situações sob suspeita. O CRIA recorreu ao Fundo de Socorro Social para fazer face a dificuldades financeiras da instituição. Sobre a candidatura a este fundo, o Instituto da Segurança Social refere que “a mesma encontra-se em fase de análise”.

Edição de 01.03.2018 | Sociedade

A Segurança Social enviou para o Ministério Público um relatório sobre irregularidades detectadas no Centro de Recuperação Infantil de Abrantes (CRIA), para que sejam investigadas e avaliadas em termos penais as situações verificadas pelo Departamento de Fiscalização do Instituto da Segurança Social. A instituição foi notificada das conclusões da auditoria financeira e jurídica, segundo informação prestada a O MIRANTE pelo Instituto da Segurança Social, que ordenou a regularização das situações detectadas.
Recorde-se, como O MIRANTE noticiou na altura, entre as suspeitas de irregularidades está a da eleição do ex-presidente da Câmara de Abrantes, Nelson Carvalho, para a presidência da instituição. Situação que foi confirmada a O MIRANTE pelo então director distrital da Segurança Social, Tiago Leite. Em causa estava a ficha de inscrição do ex-autarca como sócio do CRIA, que terá sido forjada para que correspondesse aos parâmetros exigidos para que pudesse ser eleito. Tiago Leite, que já não está no cargo, referiu também que a inspecção actuou na “sequência de denúncias de várias situações que não estariam a cumprir os regulamentos”.
O Instituto da Segurança Social diz ainda a O MIRANTE, através da assessoria de imprensa, que o Centro Distrital de Santarém tem vindo a acompanhar a instituição e a verificar se estão a ser corrigidas as situações irregulares. Nelson Carvalho está há pouco mais de dois anos a dirigir o CRIA e durante este período foram várias as controvérsias e polémicas, sendo a mais recente a falta de dinheiro para pagar os subsídios de Natal aos funcionários, tendo sido aprovado um empréstimo à banca para fazer os pagamentos, pouco tempo depois dos membros do conselho fiscal se ter demitido, alegadamente por não lhes ser fornecida toda a informação necessária para avaliarem as contas.
Nelson Carvalho também protagonizou litígios com funcionários e teve de pagar 22.500 euros à ex-directora da instituição, na sequência de um processo por despedimento ilícito. O presidente do CRIA acordou em tribunal pagar a verba a Vanda Grácio, despedida no final de 2015, pouco tempo após Nelson Carvalho ter assumido a direcção. O acordo foi obtido na primeira sessão do julgamento no Tribunal do Trabalho de Tomar, após o juiz ter apelado às partes para que chegassem a um entendimento e ter dito a Nelson Carvalho que “o risco é sempre pior para a entidade patronal”.

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