Cultura | 04-04-2021 12:30

Pior do que a pandemia é conciliar a vida pessoal com a de actor

Pior do que a pandemia é conciliar a vida pessoal com a de actor
SOCIEDADE
foto DR João Santos Lopes

A transmissão de peças de teatro online não pode ser o futuro porque sem público presente nas salas não há verdadeiramente teatro

A transmissão de peças de teatro online não pode ser o futuro porque sem público presente nas salas não há verdadeiramente teatro. A opinião é de João Santos Lopes, encenador do grupo de teatro amador Esteiros, de Alhandra.

“A pandemia ao obrigar a fechar os teatros trouxe situações de desespero para as companhias profissionais. Optou-se pelo online como recurso mas o online não tem público presencialmente e sem o público o ciclo de produção de uma peça não se fecha. Pode-se fazer teatro sem texto, luz e cenário. Até em cima de uma carroça na rua. Mas sem público e actores não há teatro”, justifica.

O encenador confessa-se um realista céptico e antevê um regresso às salas muito doloroso. “Não se sabe quando a pandemia acabará e se acabará. Mesmo com o retorno às salas a redução de espectadores implicará uma redução de bilheteira e por isso é muito provável irmos assistir ao desaparecimento de companhias de teatro que não vão conseguir adaptar-se a todas estas adversidades e sobreviver”, alerta.

João Santos Lopes lembra que o teatro sempre viveu com dificuldades e que tem sido, ao longo dos séculos, uma arte resiliente, mas sabe que, nunca como agora, o desafio de sobrevivência tem sido tão grande. “Não estamos a viver uma mudança social mas sim civilizacional e não sei até que ponto isto vai alterar a forma de se ver o teatro. O que receio é que o teatro online se venha a tornar norma”.

O grupo Esteiros mantém a sua estrutura de uma dezena de elementos mas tem dificuldade em atrair gente nova para as suas fileiras. Os ensaios nas instalações da Euterpe Alhandrense foram cancelados devido à suspensão de todas as actividades naquela associação. Com estreia de uma nova peça agendada para 24 de Abril o problema é a falta de ensaios.

“Há uns anos havia mais de 20 elementos disponíveis, agora para fazer uma peça de 4 ou 5 elementos nem sempre consigo ter toda a gente disponível para ensaiar. É o problema do teatro amador, conciliar a vida pessoal e as agendas familiares das pessoas com o teatro tornou-se muito difícil. Essa é a principal dificuldade, mais do que a pandemia”, explica.

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