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Antigo aterro em Abrantes polui ar e linhas de água

Denúncia foi feita pela Quercus e participada ao Ministério do Ambiente. Associação ambientalista garante que há escorrências de águas lixiviadas sempre que chove demasiado, pois o antigo aterro não está devidamente selado.

Edição de 12.10.2016 | Sociedade

Uma célula de um antigo aterro de resíduos industriais banais situado na freguesia da Concavada, em Abrantes, está a lançar escorrências alegadamente poluentes para uma linha de água da zona. A situação foi denunciada pela Quercus em Abril deste ano e reportada ao Ministério do Ambiente, mas até ao início de Outubro ainda não tinha sido dada qualquer resposta por parte desta entidade.
O que está em causa “é um antigo aterro de resíduos industriais banais (RIB), existente numa das extremidades das instalações da VALNOR, que não chegou a ser selado. Tem estado estes anos todos a libertar gases para a atmosfera, pois também não existe qualquer sistema de drenagem e queima do biogás, e sempre que as chuvas aumentam ocorre escorrimento de lixiviados para fora de célula, que entram nas linhas de água já fora das instalações, suspeitando-se inclusive que tenham contaminado gravemente uma barragem a cerca de um quilómetro e meio onde afluem as referidas linhas de água”, lê-se na comunicação enviada pela Quercus ao secretário de Estado do Ambiente.
A VALNOR, empresa responsável pela recolha, triagem, valorização e tratamento de resíduos sólidos nessa zona, rejeita responsabilidades sobre esse aterro desactivado, mas respondeu à Quercus dizendo que “procedeu às medidas imediatas para minimizar as potenciais consequências ambientais negativas decorrentes desta escorrência, e reportou a situação à Agência Portuguesa do Ambiente, para que a mesma possa ser avaliada e sejam tomadas as medidas que as autoridades entendam necessárias”.
Na visita feita ao local em Abril deste ano por Pedro Carteiro, da Quercus, deu para perceber que “a situação actual da referida célula contrasta com a boa gestão das restantes células do aterro de resíduos urbanos, entretanto seladas, pelo que é inadmissível nos dias de hoje ainda existirem antigos aterros abandonados sem estarem selados a libertarem gases para atmosfera e lixiviados cujo caudal tende a agravar-se com a chuva”.
A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS), questionada na última assembleia municipal pelo eleito do Bloco de Esquerda Armindo Silveira, disse que “foram feitas análises e os resultados estão dentro dos valores legais, a VALNOR está a acompanhar a situação e está em permanente contacto com o município”, afirmou.
A Quercus diz ser urgente aplicarem-se medidas, nomeadamente implementar um sistema de bombagem do lixiviado para o topo da célula do aterro com o objectivo de atrasar o surgimento do lixiviado no local de descarga ou, se isso não for suficiente, em particular em dias muito chuvosos, proceder-se à recolha do lixiviado para tratamento.

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