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Fabrióleo recusa ser bode expiatório e pede investigação isenta

Fabrióleo recusa ser bode expiatório e pede investigação isenta

Empresa da zona de Torres Novas que tem sido apontada como poluidora da ribeira da Boa Água, afluente do Almonda, critica a inércia das autoridades e diz-se disponível para integrar um projecto de requalificação do Almonda.

Edição de 12.10.2016 | Sociedade

A Fabrióleo - fábrica de óleos vegetais que tem sido apontada como uma das fontes poluidoras da ribeira da Boa Água, em Torres Novas - publicou uma “carta aberta aos cidadãos de Torres Novas” onde informa que apelou recentemente ao Governo, Agência Portuguesa do Ambiente e outras entidades para que seja feita uma investigação isenta sobre quem polui as linhas de água na zona.
A empresa exige saber “toda a verdade sobre as reais origens da poluição na ribeira da Boa Água” e “se existe branqueamento de situações ilegais”, afirmando que se recusa a ser “o bode expiatório de interesses obscuros e a ser joguete de quem tem ambições no jogo da política”.
“Numa zona que, infelizmente, é altamente problemática ao nível de descargas de efluentes ilegais e onde existem aterros que libertam lixiviados, tem sido sobre a Fabrióleo que tem, injustamente, recaído grande parte do ónus dos problemas ambientais do Almonda”, lê-se na carta aberta publicada na edição de 6 de Outubro de O MIRANTE.
Nessa comunicação, a Fabrióleo sublinha que é dos poucos operadores privados com ETAR que trata os seus efluentes e critica a inacção das autoridades face a outras indústrias: “Apesar dos sucessivos alertas e participações que temos feito às autoridades, com fotografias, sobre descargas ilegais na ribeira da Boa Água não sentimos que os diversos poluidores sejam impedidos de continuarem a sua actividade”.
Por último, a empresa defende que seja criado um sistema de monitorização público para averiguar o cumprimento das regras ambientais na ribeira da Boa Água e diz-se “disponível para integrar um projecto de requalificação do Almonda, em conjunto com as restantes empresas e com as autoridades centrais e locais, desde que dirigido por entidades idóneas e respeitadas”.

Câmara vai limpar ribeira da Boa Água e imputar custos a empresa

A limpeza da Ribeira da Boa Água por parte do município de Torres Novas foi tema quente na assembleia municipal de 30 de Setembro depois do presidente da câmara ter manifestado a intenção do município em limpar as margens da ribeira numa extensão de 4,5 quilómetros. A operação, segundo anunciou Pedro Ferreira, vai custar cerca de 25 mil euros e a intenção é imputar o seu custo à empresa Fabrióleo, apontada como fonte poluidora dessa linha de água.
O deputado municipal Ramiro Silva (CDU) lembrou que a 28 de Dezembro de 2015 todos os deputados da assembleia receberam uma carta da Fabrióleo que reconhecia as suas responsabilidades na poluição da ribeira e em que mostrava disponibilidade em limpar o leito da ribeira. “Quem polui, pague e limpe”, afirma o comunista. “Consideramos inaceitável que os torrejanos que sofrem na economia, na agricultura, na saúde, no mau ambiente, ainda tenham que pagar a limpeza da ribeira”, refere o comunicado da CDU pós-assembleia.
Numa assembleia onde marcaram presença alguns moradores que também estiveram na reunião de câmara três dias antes, o presidente da Câmara de Torres Novas elogiou a união de todos os partidos e da população para a resolução do assunto mas ressalvou que “há regras e leis neste país que devem ser cumpridas”, apontando o dedo ao Ministério Público que, na sua óptica, deveria dar mais rapidez a casos destes que afectam a saúde pública. “O país está coxo nestas matérias, a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] e o IGAMAOT [Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território] não têm meios para responder a estes casos”, acrescentou.
Pedro Ferreira mostrou ainda a sua incredulidade com a actuação da fábrica de óleos vegetais. “Mesmo com todas as notícias sobre a poluição continuam com o cheiro, não percebo”, disse o autarca revelando na assembleia municipal que o secretário de Estado do Ambiente pediu nova reunião para breve com a comissão do ambiente de Torres Novas que está a acompanhar o caso.

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