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Fragateiros da Póvoa de Santa Iria forçados a demolir cais e arrecadações

Fragateiros da Póvoa de Santa Iria forçados a demolir cais e arrecadações

Administração do Porto de Lisboa notificou os proprietários das estruturas que estão ilegais. A maioria não tem alternativas onde guardar o material de pesca e os barcos.

Edição de 12.10.2016 | Sociedade

A comunidade de fragateiros da Póvoa de Santa Iria, instalada na zona ribeirinha da cidade, foi notificada pela Administração do Porto de Lisboa (APL) para demolir os cais palafíticos e os barracões que ali existem e que servem de apoio à actividade piscatória.
As estruturas são ilegais e resultam de uma ocupação que ali começou a ser feita há quase um século pelos primeiros fragateiros, comunidade de pessoas embarcadas no mar que ali descarregavam mercadoria. Os fragateiros foram a primeira comunidade a instalar-se no local, ainda antes dos avieiros.
Com a recente pretensão da Câmara de Vila Franca de Xira de candidatar a fundos comunitários a obra de prolongamento do passeio ribeirinho até ao Parque das Nações, as estruturas ilegais precisam de ser removidas e esse processo está agora em andamento. Quem não demolir em 20 dias arrisca-se a ser surpreendido com máquinas à porta para fazer coercivamente as demolições.
Vários fragateiros, escutados no local por O MIRANTE, não se mostram contra a demolição e admitem que as actuais estruturas não oferecem boas condições, mas temem pela falta de alternativas ou locais temporários onde guardar os equipamentos.
Algumas pessoas da comunidade criticam também o facto de não estar prevista a preservação de alguns dos cais palafíticos ali existentes, mas um dos fragateiros mais antigos da zona, António Júlio Marques, de 82 anos, concorda que sejam demolidos. “Já não têm condições. Somos a favor da demolição, mas pedimos que nos arranjem primeiro uma forma de guardar as coisas quando ficarmos sem as casas, porque não temos nada”, apela.
Quem ali tem barracões exige também um cais em condições para largar os barcos na água. “Que façam como fizeram em Alhandra ou Vila Franca de Xira, um pavilhão para guardarmos as nossas coisas e um cais em condições para largar os barcos na água. Quando a maré é baixa ou as águas estão mortas já não dá”, lamenta António Marques.
Os fragateiros estão a reunir assinaturas em abaixo-assinado para entregar nas diferentes entidades apelando a que não se faça a demolição sem primeiro ser acautelada uma forma de guardarem o material que têm nas barracas.
Numa das últimas reuniões públicas de câmara o presidente do município, Alberto Mesquita (PS), foi questionado por Nuno Libório, da CDU, sobre que estruturas de apoio estariam previstas para os fragateiros em caso de demolição das estruturas. O autarca não respondeu directamente à pergunta mas lembrou que as estruturas ali existentes “são ilegais” e que a notificação de demolição foi proveniente da APL e não do município.
“Queremos avançar com a candidatura a fundos comunitários e aquele local tem de estar limpo. Estão previstas zonas para arrumação de barcos mas manter o que ali está, que é uma zona degradada, isso é ilegal e é algo com que não podemos conviver”, afirmou Alberto Mesquita.

Fragateiros da Póvoa de Santa Iria forçados a demolir cais e arrecadações

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