
“Hip hop é como se fosse parte da minha expressão”
Rute Silva é uma jovem cantora de hip hop natural de Abrantes que assina os seus trabalhos por PI. Lançou agora o seu primeiro single.
Natural de Abrantes, Rute Silva, mais conhecida no mundo do hip hop como PI, lançou o seu primeiro tema “Jardim Ilógico” no dia de Natal no ano passado. A entrada no mundo deste género musical foi gradual e contou com a ajuda da irmã mais velha. Na altura de escolher um nome artístico teve alguma dificuldade para encontrar um com o qual se identificasse. Acabou por escolher PI, que “é um número racional que ainda está a ser estudado, achei que encaixava completamente em mim”, revela a O MIRANTE.
PI, com 24 anos, está focada no hip hop, mas também em outros projectos como street art e instalações e encara o estilo musical como parte da sua expressão. Em 2018 decidiu investir a sério na música, e, após uma viagem à Holanda, resolveu passar da ideia à realidade, concretizando assim a gravação da sua primeira música. Contou com a ajuda de Nário e Rafa, dois amigos que estudaram cinema documental em Abrantes e que foram os produtores do single.
O processo decorreu entre Setembro e Dezembro, com financiamento próprio. Durante a gravação do single, a artista explica que passou por tempos complicados - “a minha vida era sair do trabalho e ir gravar até às três e quatro da manhã, dormir e ir trabalhar”. Agora tem na calha as gravações da mixtape que sairá ainda em 2019.
A letra de “Jardim Ilógico” foi escrita aos 22 anos e revela uma “nítida crítica ao sistema e à sociedade”, de acordo com a autora. “Fala de como nascemos num sistema que não escolhemos, numa família que não escolhemos, num sítio que não escolhemos”, reforça. “Mas cada um tem a liberdade para a interpretar como quiser”, remata Rute Silva.
Apesar de ser uma crítica à sociedade, a letra da música também é inspirada em experiências pessoais. “Tudo o que eu escrevo tem a ver comigo, ou com a minha perspectiva de ver as coisas”. O “Jardim Ilógico” descreve a dinâmica familiar entre a mãe e a cria. A artista revela que foi interessante expor os pais àquela música, não é que não apoiem o que eu faço, mas de certa maneira aceitaram”, remata.
Uma forte ligação a Abrantes
Apesar de residir em Coimbra, Abrantes foi a cidade onde nasceu e onde passou grande parte da vida. É também ali que gostaria de dar o primeiro concerto. Rute Silva sente uma ligação forte à cidade natal, mas reforça que Abrantes devia chamar mais as pessoas para voltar. “Existe pouca dinâmica cultural com foco na população jovem e as poucas acções que há são pouco divulgadas”, refere a artista. “O que podia existir para cativar os jovens tem desaparecido, como o Cine-Teatro ou o parque radical, que está completamente destruído e até se torna perigoso”, lamenta Rute. A artista relata ainda o facto de não existir cinema em Abrantes, e da população ter de se deslocar cerca de 35 km em direcção a Torres Novas para assistir a um filme.

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