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Como se esbanja um milhão num edifício que há anos não serve para nada
Edifício Salter Cid no centro da Chamusca tem sido um sumidouro de dinheiros públicos

Como se esbanja um milhão num edifício que há anos não serve para nada

Chamusca é o exemplo do pior que se pode fazer com o dinheiro público. O caso do edifício Salter Cid começou mal e tem continuado mal. Desde 1999 o espaço só foi efectivamente utilizado durante três anos. Um caso paradigmático de como é possível delapidar as finanças municipais, sem que até agora alguém seja iluminado por uma estratégia para o local.

Edição de 10.07.2019 | Política

A Câmara da Chamusca já gastou um milhão e duzentos mil euros num edifício que tem estado fechado e para o qual não tem qualquer ideia conhecida para a sua utilização. É um dos casos mais emblemáticos de esbanjamento de dinheiros públicos no concelho e na região. A história do edifício Salter Cid começa em 1999 e até agora só teve vida durante três anos. O anterior executivo chegou a pagar 2.500 euros de renda durante oito anos para estar fechado. O imóvel, em frente à câmara, foi entretanto adquirido e está a ser alvo de obras.
A câmara não tem qualquer projecto para a utilização do edifício. O mais próximo disso foi a intenção de instalar o arquivo municipal, mas começaram a arranjar o imóvel sem qualquer estudo e avaliação prévia, o que só podia dar mau resultado. Conclusão: o espaço não tinha condições para a intenção do presidente da autarquia, Paulo Queimado, que se viu obrigado a comprar outro prédio, por 80 mil euros, a um autarca do seu partido.
O edifício Salter Cid foi adquirido pelo município em 2015 por 463 mil euros e já foram gastos perto de meio milhão em obras, que ainda estão a decorrer. Antes, já a câmara, na altura da gestão CDU, tinha sido obrigada pelo tribunal a pagar uma renda mensal de 2.500 euros. Porque após a morte do proprietário, os seus herdeiros recusaram receber o imóvel nas condições em que se encontrava. Justificando não ter dinheiro para fazer as obras, orçadas em 50 mil euros, a câmara, então da CDU, deixa arrastar a situação. Acaba por gastar quatro vezes mais, em sete anos, entre 2007 e 2015.
Recorde-se que em 1999 o então presidente da câmara da CDU, Sérgio Carrinho, celebrou um contrato de comodato com os donos do prédio, para a instalação da agência de desenvolvimento regional – Inovartejo, que acabou por funcionar apenas três anos. A contrapartida da autarquia era fazer obras no imóvel. Aquando da dissolução da Inovartejo, Sérgio Carrinho disse a O MIRANTE
que o edifício não ficaria “às moscas”. A comissão instaladora da associação empresarial da Chamusca ainda chegou a usar o espaço, que abandonou com a chegada do inverno porque chovia dentro do edifício.
Quando Paulo Queimado entra para a câmara decide comprar o espaço, já com sinais de degradação, para não continuar a pagar rendas, mas sem qualquer estratégia. Com a aquisição, o presidente socialista foi tendo umas ideias soltas sobre o assunto e chegou a falar na instalação de uma escola de música, o que nunca aconteceu. A população continua à espera de saber para que vai servir o imóvel, mesmo ao lado do antigo centro regional de artesanato que está também ao abandono.

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