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Morreu Costa Braz, figura incontornável dos primeiros anos de democracia
Coronel Costa Braz tinha 85 anos quando morreu vítima de doença prolongada

Morreu Costa Braz, figura incontornável dos primeiros anos de democracia

Coronel aposentado ajudou a preparar o 25 de Abril e foi figura de topo no pós-revolução. Antigo ministro era natural do Pombalinho, Golegã. Faleceu na terça-feira, 2 de Julho, vítima de doença prolongada, aos 84 anos. Pela sua carreira multifacetada, foi distinguido por O MIRANTE com o prémio Personalidade do Ano Vida em 2015.

Edição de 04.07.2019 | Sociedade

Morreu na terça-feira, 2 de Julho, o coronel Costa Braz, aos 84 anos, vítima de doença prolongada. O militar fez parte do grupo que preparou o 25 de Abril e, mais tarde, do Grupo dos 9, que normalizou a democracia em Portugal no Verão de 1975. Costa Braz foi ministro da Administração Interna em quatro governos do período pós-revolução. Foi também provedor de Justiça, Alto Comissário Contra a Corrupção e presidente da administração da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
Manuel da Costa Braz nasceu em 4 de Novembro de 1934 no Pombalinho, freguesia do concelho de Santarém que se mudou em 2013 para o município vizinho da Golegã, mas a profissão do pai, ferroviário, determinou que passasse grande parte da infância e juventude longe da terra natal. Fez a escola primária na Guia (Pombal) e o ensino secundário em liceus de Leiria, Figueira da Foz e Coimbra, antes de ingressar no curso geral preparatório da Escola do Exército quando estava prestes a cumprir 18 anos. Começou aí a sua vida ligada à instituição militar.
Em 2013 deu uma entrevista a O MIRANTE
(ver edição 23 Abril 2013) onde confessava que há uns anos tinha decidido dedicar-se a explorar as propriedades agrícolas de que era proprietário nos campos do Pombalinho. No entanto, a missão não correu da melhor maneira e perdeu “alguns milhares de contos de economias que tinha feito”, tendo depois arrendado as terras.
Costa Braz tinha orgulho nas suas raízes ribatejanas (o pai chegou a ser presidente da Junta do Pombalinho) e era apreciador de touradas, embora preferisse vê-las pela televisão em casa. Confessava-se uma pessoa pouco dada a excessos emocionais. Deixou dois filhos e três netas.
Militar da arma de artilharia, Manuel da Costa Braz foi uma figura de topo da vida pública nacional nos anos seguintes à revolução de 25 de Abril de 1974, tendo integrado a comissão política do Movimento das Forças Armadas. Participou activamente na preparação do 25 de Abril, fazendo parte do grupo que elaborou o chamado Documento de Cascais e o Programa do Movimento das Forças Armadas. Como oficial cumpriu três comissões de serviço nas ex-colónias, duas em Angola e uma na Guiné, durante a guerra colonial.
Foi ministro da Administração Interna nos II e III governos provisórios e nos I e II governos constitucionais, entre 1976 e 1980, tendo nestes casos como primeiro-ministro Mário Soares e Maria de Lourdes Pintassilgo. Foi também o primeiro Provedor de Justiça do país, nomeado em Dezembro de 1975, e Alto Comissário Contra a Corrupção entre Dezembro de 1983 e Maio de 1993. Em 1997 foi nomeado presidente do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência.

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